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Welwitschea José dos Santos “Tchizé”; filha de José Eduardo dos Santos e Maria Luísa Perdigão Abrantes; casada com Hugo Pego.
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04/02/2008 – Fonte: NL – A jornalista e empresária angolana Tchizé dos Santos, publicou um texto no Semanário Angolense onde faz um veemente apelo à tolerância dos angolanos.
Neste texto, a filha do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, entre outras nacionalidades, lembra os seus compatriotas que “os portugueses não têm culpa” que em Angola se goste tanto do “seu” bacalhao com natas”.
A propósito de uma canção do músico Dog Murras, em cuja letra são apontadas algumas das gritantes discrepâncias entre ricos e pobres na sociedade angolana, Tchizé dos Santos admite concordar com “algumas verdades” cantadas pelo “compositor genial” em “Angola Bwé de Caras”.
Esta música foi lançada envolta em alguma polémica porque, alegadamente, a Rádio Nacional de Angola (RNA, estatal) não aceitou passá-la na sua programação.
No entanto, Tchizé dos Santos, aproveita o ensejo para alargar a sua mensagem e, dirigindo-se a Dog Murras, como figura pública, defende que este não devia “fomentar a desunião e a frustração que todo o povo angolano vive” num país que “anseia” pela reconstrução e total recuperação dos efeitos nefastos da guerra que terminou apenas em 2002.
“Ninguém gosta de ser lembrado que vive num país com dificuldades, estradas esburacadas, paludismo e outros problemas”, atira Tchizé dos Santos, sublinhando que “todos estão expostos” a esta realidade, “ricos ou pobres”.
A jornalista e empresária defende que “todos”, apesar das dificuldades, “amam a sua terra” e, por isso, “todos” devem “trabalhar unidos por uma Angola melhor”.
No texto de página inteira publicado este fim-de-semana pelo Semanário Angolense, depois de dizer que em todo o mundo há poderosos, “delinquentes de colarinho branco”, que passam por cima de outros, apelando à união dos seus compatriotas para enfrentar as dificuldades.
Nesta prosa, a filha de José Eduardo dos Santos, diz que um dos problemas é que, “infelizmente”, alguns “pseudo novos-ricos” angolanos “esquecem as suas origens” e querem “passar por cima do seu vizinho que saiu do mesmo bairro e acham que têm direito a tudo na lei da força”.
Num dos versos de “Angola Bwé de Caras”, Dog Murras canta: “Angola do petróleo, do diamante e muita madeira/ Angola do paludismo, febre tifóide e muita diarreia… Angola dos herdeiros que não fazem nada e têm bwé da massa/Angola do kota honesto que bumba(trabalha) bwé e não vê nada…”
Aproveitando ainda a ocasião para sublimar um putativo mal estar em alguma sociedade angolana para com os estrangeiros, Tchizé dos Santos diz que a “culpa” não é dos chineses pela herança angolana com poucos quadros capazes de fazer as obras que eles(chineses) fazem com rapidez.
O mesmo sentimento é apontado a “franceses, brasileiros etc…”, questionando Tchizé: “Quem trabalha de graça na terra dos outros? Claro que os expatriados têm que ser recompensados por estarem na nossa terra dos buracos, do paludismo e da poeira”.
Zairenses, malianos ou senegaleses são ainda lembrados. Mas, também para os portugueses, sobre os quais se diz amiúde em Angola que são amados e odiados na mesma proporção, fruto de cinco séculos de colonialismo e uma significativa presença desde a independência de Angola em 1975, Tchizé dos Santos tem uma apaladada palavra.
“E por fim os portugueses também não têm culpa do facto de gostarmos tanto dos seus chouriços, bacalhau com natas, Sumol de ananás e cerveja Sagres em vez de valorizarmos a nossa Cuca, Nocal e o Yuki ou a Chikaungua da terra, nas festas onde agora finalmente já dançamos as músicas dos nossos cantores e compositores sem vergonha”, diz.
O cantor Dog Murras, na sua polémica canção de clara intervenção social, termina o poema lembrando: “Angola do rico é rico, muito conceito com preconceito/Angola do pobre é pobre, que nasce pobre e morre pobre.
Este posicionamento da filha de José Eduardo dos Santos surge ainda num momento em que um CD pirata chamado “Variada 2008″ foi posto à venda em Luanda, merecendo veementes críticas de sectores políticos e sociais por conter fortes apelos à discriminação racial e violentas acusações ao Chefe de Estado e outros elementos do governo angolano.
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1/03/2009 – Africanidade – Na gala que celebrou o 105º aniversário do Benfica, realizada no Casino do Estoril, com apresentação de Francisco Menezes e Sandra Cóias, e que contou com 1050 convidados, entre eles Rui Pedro, ministro da Administração Interna, o presidente do emblema da Luz insurgiu-se contra o “facilitismo, o compadrio e a incompetência” do futebol nacional. Por isso, promete: “Lançámos o processo de mudança, temos de garantir que não se volta atrás. Pagaremos qualquer preço, desafiaremos todos os obstáculos para assegurar que a verdade desportiva regresse ao futebol português.”
Numa cerimónia presenciada por todo o plantel e que contou com momentos de animação, até da autoria de Rui Costa – participou num apanhado com Paulo Gonçalves -, o líder encarnado homenageou o Sport Luanda e Benfica, lembrando a promessa de voltar a Angola caso conquiste o título. Welwitchia dos Santos, filha do presidente de Angola e conhecida como Tchizé, líder da filial angolana, expressou o desejo de uma “parceria vantajosa” entre os emblemas, felicitando Vieira “pelos êxitos alcançados e por ter transformado o clube numa instituição internacional de relevo”.
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07 Agosto 2009 – Club-k.net – A abstenção de Tchizé dos Santos dos mega negócios (Bancos, petróleos, diamantes e etc) é, em parte, associada a uma medida de prevenção reflectida em exemplos retidos da historia, muito deles relacionados ao destino de personalidades que estão na sua condição de filha de Estadista.
No seu circulo intimo, não lhe é notada incentivo “agudo”, nas expressões que incentivam a “aproveitar” enquanto o seu pai esta no poder. Recusa aproximação de empresários que a desejam usar como lobbi junto ao poder em troca de participações. Chegou a dada altura a negar uma “boa” proposta de cooperação empresarial que investidores teriam feito a ela por via de uma amiga muito próxima tendo deixado a entender que a sua não adesão obedecia a conselhos do circulo familiar (do lado materno).
De acordo com leituras decorrentes a sua inserção no mercado dos negócios, a jovem empresaria opta por negócios mais “lights” e transparentes do ponto de vista do “conhecimento geral do povo” e igualmente negócios que ficam isentos de sentimentos de revolta do publico. Esteve ligada como sócia, a um banco, o Banco de Negócios Internacionais (BNI) acabando por se livrar deste vendendo as suas acções de 13 por cento. (insistentes rumores não confirmados insinuavam que saiu do BNI em retaliação a administração por não ter atendido um suposto pedido seu que determinava a criação de uma vice-presidência para um irmão seu, Tito Mendonça “Tilucho”, funcionário do BDA).
Nos negócios “lights” que opta centra-se no ramo da comunicação social (Revista, assessoria de televisão, etc). É movida por um sentido de desenvolver trabalho que causa visibilidade acompanhada de comentários positivos. A forma reprovável como o Ministro Rabelais a colocou na TPA é ao mesmo tempo acompanhada com comentários que aludem certa revolução/modernização em termos de imagem/apresentação do canal 2 da estatal angolana.
Nos últimos tempos viu a sua popularidade baixar por efeito de uma intimidação judicial procedida contra a classe de jornalistas através da líder sindical, Luisa Rogério. Alguns, analistas porem, haviam sugerido que os excessos deveu a ausência de um conselheiro de marketing da sua imagem.
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20 de Janeiro de 2011 – Revista Lux –
Lux – Perante as imagens e perante o que foi dito, a conclusão que se tira é que foi, de facto, um casamento de ostentação?
Tchizé dos Santos – Muitas vezes o bom gosto é confundido com opulência e com arrogância. Hoje qualquer pessoa pode ir à Zara e ficar mais bonita que outra que vista Chanel. Quando as pessoas têm bom gosto e têm prazer em viver podem criar coisas maravilhosas que passam por eventos magníficos de um milhão de dólares. De resto, já é a segunda vez que alguém diz que
um evento de minha iniciativa custou um milhão de dólares. Ainda bem que tenho criatividade e ideias de um milhão de dólares para cima sem os gastar.
Lux – Foi um casamento pago com o dinheiro do Estado?
T.S. – A Júlia Pinheiro escreveu que Angola é um país onde os governantes se servem do Estado. Não é assim. O meu pai é um homem que serve o seu Estado e que o faz com sabedoria e fidelidade. É realmente muito complicado ver o seu nome envolvido em mentiras. Ver-se criticado por pessoas que desconhecem a sua trajectória intelectual, os seus valores morais e éticos. Pessoas que desconhecem como é pacífico e moderado. Que desconhecem a sua simplicidade e a sua capacidade de trabalho.
Lux – E afinal quem pagou o casamento?
T.S. – O conceito de família em Angola é diferente do português. Em Portugal cada família tem em média dois filhos. Só a minha família materna até ao segundo grau são 150 pessoas, a paterna outras 150. Mais os convidados do noivo e família, os amigos, colegas da faculdade… Não é difícil perceber que vão ao casamento seiscentas e tal pessoas. Lá, é a família que paga o casamento. Toda a família trabalha, têm os seus negócios… Acho que uma família de 300 pessoas paga bem um casamento… Além disso, eu e o meu marido temos rendimentos, também trabalhamos. Não estamos em casa a olhar para o céu. Depois há a minha mãe, uma consultora
extraordinária, uma mulher brilhante, que sempre me disse que se o meu pai não fosse quem era e se eu não tivesse tanta preocupação em zelar pela imagem dele, ela me fazia um casamento de sete dias, com o melhor possível… Porque é uma mulher que trabalhou a vida toda e só tem uma
filha. Aí é que iam ver o casamento que eu ia ter.
Lux – É inevitável que se pense como é possível fazer um casamento daqueles com a situação em que o país se encontra…
T.S. – É verdade, há pessoas com muitas dificuldades. Mas, se ao invés de procurarmos e inventarmos falhas na sociedade e na economia angolana, enfatizássemos o facto de Angola ser uma economia em franca expansão, com empresários capazes e um país excelente para fazer investimentos, talvez a miséria acabasse mais depressa. Claro que há muita coisa por mudar, mas Angola precisa de receber investimentos. Tivémos uma guerra longa, tivémos de defender a nossa soberania… Mas agora temos uma paz para ficar.
Lux – E os presentes que recebeu?
T.S. – Foi referido que nos poderia ter sido oferecido de presente um poço de petróleo, ou alguma concessão para explorar alguma riqueza angolana. A afirmação é uma barbaridade. Não se oferece de presente a capacidade de gerir o negócio, nem de explorar riquezas.
Lux – Os angolanos reagiram ao seu casamento da mesma forma que os portugueses?
T.S. – Lá o meu casamento foi considerado simples e elegante. A minha mãe é uma pessoa muito conhecida em Angola e as pessoas estavam à espera que ela fosse fazer o casamento do século. As pessoas apreciaram ter sido um casamento sem exageros.
Mas estes jornais e revistas são lidos em Angola e agora passaram a achar que levei uma coroa de diamantes. O que não é verdade. Podia ter levado, como muitas noivas em Angola, mas não levei. A tiara que levei na cabeça não é de diamantes. Foi-me oferecida como complemento do vestido pelo costureiro Augustus. Houve joalharias que quiseram emprestar-me peças caras e eu não aceitei. Quando fechei os olhos e imaginei o meu casamento não idealizei uma coroa de diamantes. Imaginei um vestido sóbrio e elegante. Foi o que aconteceu. A mantilha foi feita por uma pessoa que me é muito querida e o Augustus desenhou o vestido e pôs-me a tiara na
cabeça. Eu olhei para o espelho e achei tudo maravilhoso e lá fui casar feliz da vida.
Lux – Depois houve ainda a questão dos convidados que chegaram de fora…
T.S. – Fiquei surpreendida com as pessoas que foram do estrangeiro. Todas elas pagaram as suas despesas. Ninguém custeou as despesas da família do noivo. O meu pai fez questão de referir que o casamento ia ser pago pela família e todas as extravagâncias que eu quisesse seriam da minha responsabilidade.
Lux – Quanto custou o casamento?
T.S. – É obvio que não vou responder. É uma questão particular das nossas famílias. Mas é claro que uma família do tamanho da minha pode pagar um casamento assim. E nenhum deles recorreu a verbas públicas para isso. Foi o dia mais feliz da minha vida e não mudava nada naquele casamento.
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15 Dezembro 2011 – makaangola.org – A 5 de Novembro de 2010, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, autorizou o Ministério da Geologia e Minas e da Indústria a prorrogar os termos de uma concessão diamantífera, na Lunda-Norte, para benefício primário da sua filha Welwitschea José dos Santos “Tchizé”.
O Decreto Presidencial nº 296/10 de 2 de Dezembro de 2010, determina a prorrogação, por um período de dois anos, da Licença de Prospecção, Pesquisa e Reconhecimento de Diamantes de Kimberlitos do Projecto Muanga, localizado na província da Lunda-Norte. Inicialmente, o Presidente José Eduardo dos Santos promulgou o projecto, aos 14 de Julho de 2005, como uma associação entre a Endiama (51%), a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro – SDM (20%), Odebrecht (19%) e Di Oro (10%). A SDM é um consórcio paritário entre a Endiama e a multinacional brasileira Odebrecht.
Por sua vez, a Di Oro – Sociedade de Negócios Limitada, criada em 2003, é detida integralmente por Tchizé dos Santos (73.34%), o seu esposo Hugo André Nobre Pêgo (16.66%), e o filho cantor do Chefe de Estado, José Eduardo Paulino dos Santos “Coreon Dú” (10%).
No entanto, por altura da assinatura do contrato de associação do Projecto Muanga, a Di Oro –Sociedade de Negócios e Alta Costura Lda. tinha outro âmbito de negócios, conforme lavrado em escritura (art. 2º): “a sociedade tem por objecto social a alta costura, modas e confecções, gestão de negócios e empreendimentos industriais, decoração, comercialização de cosméticos, vestuário para casamentos, cocktails, aniversários e brindes”.
A 30 de Setembro de 2005, dois meses após José Eduardo dos Santos ter certificado a concessão da considerável percentagem aos filhos no negócio dos Kimberlitos, os beneficiários alteraram o pacto social e a denominação original da empresa. Esta passou a chamar-se apenas “Di Oro – Sociedade de Negócios Limitada” e adoptou, como objecto social, a realização de “estudos geológicos, prospecção e exploração diamantífera, associação em participação em negócios mineiros, indústria hoteleira e de confecções, comércio geral, importação e exportação” (art. 2º).
O decreto presidencial ilustra o modo como José Eduardo dos Santos tem gerido a política de tolerância zero contra a corrupção, por si decretada, a 21 de Novembro de 2011. O presidente afirmou, na altura, que o MPLA, enquanto partido no poder, “aplicou timidamente o princípio de fiscalização dos actos de gestão do Governo, através da Assembleia Nacional e do Tribunal de Contas”.
No mesmo discurso, o Presidente da República e do MPLA manifestou-se contra a apatia do seu partido em combater a corrupção. Dos Santos referiu que a falta de coragem do MPLA foi “aproveitada por pessoas irresponsáveis e por gente de má fé para o esbanjamento de recursos e para a prática de acções de gestão ilícitas e mesmo danosas ou fraudulentas”. Dos Santos também disse: “Penso que devíamos assumir uma atitude crítica e auto-crítica em relação à condução da política do partido neste domínio”.
No entanto, o acto administrativo do Presidente em favorecer os seus filhos, em negócio com o próprio Estado angolano, configura um crime de corrupção, segundo a Lei da Probidade Pública (art. 25º, 1, a).
O Presidente da República, por interpretação extensiva, sujeita-se à Lei da Probidade Pública, que abrange todos os servidores públicos (Art. 15º, 1º). De forma mais específica, o Presidente da República também responde enquanto chefe do Executivo, de que é membro (Art. 15º, 2º, a).
Por sua vez, a Odebrecht incorre no crime de suborno do Presidente da República, ao ter garantido 10%do capital social do Projecto Muanga à filha do Presidente que, pessoalmente, assinou o contrato com o representante da multinacional brasileira, António Mamieri. O contrato do Projecto Muanga determina (Art, 25º) que a Odebrecht e a SDM assumem o compromisso de realizar todos os investimentos “para a totalidade das despesas de Prospecção, Pesquisa e Reconhecimento, por sua conta e risco”, assim como os prejuízos resultantes do insucesso do projecto (Art. 27º). A única justificação plausível para a Di-Oro receber 10% de negócio é o privilégio que goza na obtenção da assinatura do presidente para a promulgação do negócio.
Segundo a Constituição (Art. 127º, 1 sobre responsabilidade criminal), o Presidente responde por actos de suborno enquanto no exercício das suas funções (Art. 129º, 1, b) podendo ser destituído por crimes de suborno, peculato e corrupção.
José Eduardo dos Santos tem regularmente promulgado decretos oficiais que facilitam o enriquecimento ilícito dos seus filhos. A 30 de Novembro de 2005, o Chefe do Estado promulgou o contrato de Prospecção, Pesquisa e Reconhecimento de jazidas primárias de diamantes no Projecto Cabuia, a noroeste de Saurimo, na província da Lunda-Sul (Decreto nº 106/05 de 9 de Dezembro do Conselho de Ministros). O consórcio formado pela empresa de Tchizé dos Santos, N’Jula Investments, Miningest e Sambukila, teve direito a 5% do capital social do projecto mineiro, sem necessidade de contributo financeiro, material ou técnico pela sua participação societária. A referida concessão abrange uma área de três mil kilómetros quadrados.
Segundo o contrato do Projecto Cabuia, a Equatorial Diamonds, liderada pelo empresário Hélder Bataglia, assumiu o financiamento integral do projecto, por sua conta e risco, e ficou com 44% das acções. Coube à Endiama, enquanto representante do Estado, 51% do capital social. Em termos legais se pode aferir que a Equatorial Diamonds incorreu no crime de suborno do Presidente da República, para facilitar a aprovação do projecto.
No entanto, estranhamente, apesar do contrato ter sido celebrado por um período de cinco anos, o Decreto Executivo nº 7/06 de 30 de Janeiro de 2006, do Ministério da Geologia e Minas apresenta outra configuração ao mesmo contrato referente ao Projecto Cabuia. O consórcio de Tchizé dos Santos passou a beneficiar de 30%para o período de exploração de diamantes. A Endiama (35.5%) e a Equatorial Diamonds (34.5%) cederam considerável parte do seu capital sem valor acrescentado para as suas participações societárias. Essa nova distribuição revela a transferência directa de capital do Estado, detido pela Endiama, para benefício da filha do Presidente, e com a sua anuência.
Assim, os discursos governamentais sobre a boa governação, a transparência e o serviço público são letras mortas ante os actos abertos de corrupção do Presidente da República. José Eduardo dos Santos é corrupto.
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12 Janeiro 2012 – O activista angolano Rafael Marques depôs hoje num “processo de averiguação preventiva” relacionado com “branqueamento de capitais”, envolvendo “vários dirigentes angolanos”, que decorre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), disse o próprio à Lusa.
Rafael Marques informou a Lusa que depôs hoje, como testemunha, em Lisboa, no “processo de averiguação preventiva n.º 85/11-PG”, interposto por “um cidadão angolano residente em Portugal”, que pediu para não identificar.
Este cidadão apresentou queixa contra “uma longa lista”, que inclui “membros da família presidencial” angolana, entre os quais Welwitschea José dos Santos (conhecida como “Tchizé” dos Santos), uma das filhas de José Eduardo dos Santos, Presidente da República angolano, disse Rafael Marques.
De acordo com Rafael Marques, os visados são ainda “vários dirigentes angolanos”, entre os quais Manuel Vicente, presidente do conselho de administração da petrolífera Sonangol E.P., e Hélder Manuel Vieira Dias Júnior, general conhecido como “Kopelipa”, ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República.
A queixa visa cerca de 20 cidadãos angolanos com “investimentos e propriedades em Portugal”, acusando-os de “branqueamento de capitais”, acrescentou Rafael Marques, que diz ter sido chamado a depor como testemunha neste “processo de averiguação preventiva” pelo que tem investigado sobre “a corrupção em Angola”.
“Fui prestar declarações. Acho importante que haja preocupação das autoridades judiciais portuguesas em apurar os factos sobre investimentos angolanos em Portugal”, declarou à Lusa, em Lisboa.
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08 Abril 2013 – Club-k.net – No seguimento da notícia “Filhos de membros do regime com contas milionárias”, ao qual é reportado que depois dos filhos do Presidente da República haveria outros rebentos de membros do regime com contas bancárias com valores a cima dos USD 50 milhões, a empresária Welwitchea dos Santos “Tchizé” reagiu negando que tenha estes dinheiros – “ainda estou muito longe de atingir esta liquidez”, disse.
Numa exposição, enviada ao Club-K, a também deputada que não falava à imprensa desde a tomada de posse do seu pai em Setembro de 2012, quebrou o silêncio para esclarecer que “quando se fala dos filhos do Presidente não se pode generalizar. Somos oito irmãos e inclusive um menor de idade. Uns são empresários, gestores, outros ligados à cultura e artes, outros são estudantes e um está na política. Cada um tem a sua cabeça e a sua individualidade. Não podemos figurar nalguma lista como figura jurídica colectiva denominada ‘os filhos do Presidente’, não se pode generalizar”, adverte.
Tchizé dos Santos que por outro lado não revela o quanto estará avaliado o seu património entende que “a fama sem proveito é complicado”.
Porém, respeitante as atribuições de que os colocam (entenda-se filhos do PR) nas listas de bilionários de África, a jovem gestora esclarece que “o império é da minha irmã e ela tem herdeiros que são os filhos. Eu estou no ramo empresarial desde 2000 e como qualquer empresária, entrei para o mundo dos negócios para ganhar dinheiro, gerando empregos, desenvolvimento e riqueza para mim e consequentemente para o meu país. Mas ainda estou muito longe de atingir esta liquidez (refira-se a 50 milhões de dólares). Quando lá chegar será evidente, porque ajudarei muita gente e farei crescer os meus projectos sociais”, vaticinou.
No entanto, prosseguiu dizendo que “a minha irmã já deixou claro em várias ocasiões que não faz negócios com a família e que não é particularmente próxima aos meios irmãos nesse sentido. Inclusive foi publicado isso pela Financial Times. E a esta altura já todo mundo sabe disso. Não sei porque insistem misturar as coisas.”
De lembrar que a notícia que provocou a reacção da deputada citava que um filho do ex-ministro das Finanças, de nome Ivan Leite Morais estaria, depois dos filhos do PR, a liderar a tabela dos varões de membros do regime com uma fortuna de 56 milhões de dólares em liquido. O mesmo jovem é apresentando como tendo conexões empresárias com a Tchizé dos Santos, com realce no ramo da construção civil, o que não foi negado pela mesma.
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